Polícia
Polícia

Polícia detalha investigação sobre atropelamento de criança em Birigui

Delegado afirma que imagens indicam que motorista não fugiu e diz que conduta do pai da criança também será apurada

Ver resumo

Delegado afirma que imagens indicam que motorista não fugiu e diz que conduta do pai da criança também será apurada

Polícia detalha investigação sobre atropelamento de criança em Birigui
VITOR MORETTI/PONTO URGENTE

Pela primeira vez após a morte de Guilherme Correa Lima, de um ano e oito meses, a Polícia Civil detalhou a investigação sobre o atropelamento em Birigui. A criança morreu depois de ser atropelada no bairro São Genaro.

O delegado responsável pelo inquérito, Ícaro Oliveira Borges, do 1º Distrito Policial, concedeu entrevista coletiva na manhã desta terça-feira (22). Durante a entrevista, ele apresentou detalhes dos depoimentos e das diligências realizadas até o momento.

Motorista e passageiro prestaram depoimento

O motorista do Hyundai/Sonata, de 35 anos, e o passageiro prestaram depoimento na segunda-feira (21), na presença de advogados. De acordo com o delegado, o condutor estaria em um encontro familiar quando se deslocou até uma cervejaria para dar carona ao amigo.

“Ele disse que, na parte da manhã, estava em um evento familiar. Por volta das 15h, entrou em contato com o passageiro, já que são amigos, e, então, passou na cervejaria para buscá-lo e dar uma volta no município de Birigui”, disse Borges.

Depois, os dois passavam pela rua Coriolano Pompeu Paes de Campos quando pararam para conversar com o pai da criança. O passageiro é amigo dele e padrinho da vítima. Ainda segundo a polícia, a conversa foi rápida.

Quando se despediam, o menino saiu pelo portão da residência, que estava aberto, atravessou a via e ficou parado em frente ao carro. Em seguida, quando o motorista saiu com o veículo, ocorreu o atropelamento.

Na avaliação da autoridade policial, as imagens indicam que o condutor não teve a intenção de fugir do local.

“Há indícios de que não houve fuga. Na mesma velocidade em que ele saiu, assim permaneceu até o último trecho que tivemos acesso de imagens de câmeras de segurança”, revelou.

Ligação informou sobre o atropelamento

Tanto o motorista quanto o passageiro disseram em depoimento que não perceberam o atropelamento. Ambos relataram que os vidros do carro estavam fechados e havia música no interior do automóvel.

Após o ocorrido, o condutor deixou o amigo novamente na cervejaria. Foi nesse momento que o passageiro recebeu uma ligação do pai da criança contando o que havia acontecido.

Ainda segundo os depoimentos, os dois homens ficaram em estado de choque e muito abalados emocionalmente. O passageiro chegou a voltar ao endereço, mas foi embora alegando medo de represálias.

“Segundo a declaração, ao chegar ao local, havia aglomeração de pessoas, as quais diziam que iriam acertar as contas com quem deu causa ao atropelamento. Temendo por sua vida, ele não permaneceu no endereço.”

Conforme o delegado, o passageiro ligou para o motorista e contou sobre a situação no local. Por isso, o condutor também não retornou.

Polícia apura consumo de bebida alcoólica

Ainda segundo Oliveira, o passageiro confirmou ter ingerido bebida alcoólica. No entanto, na análise da polícia, ele não teve nenhuma conduta ilícita.

Já o motorista negou ter ingerido bebida alcoólica. Na segunda-feira, os investigadores fizeram diligências na cervejaria para obter mais informações e imagens de câmeras de segurança. O objetivo é verificar as versões apresentadas.

“Estamos apurando sobre isso. Estivemos no estabelecimento e ainda aguardamos algumas informações para verificar se ele estaria junto com o passageiro no local”, afirmou o delegado.

Conduta do pai também será investigada

De acordo com o delegado, a Polícia Civil também deverá apurar a conduta do pai da criança. Além disso, a polícia deve intimar ele e a mãe do menino nos próximos dias para prestarem esclarecimentos.

“Pela legislação penal e civil, o responsável pela criança tem o dever de proteção e cuidados. Vamos apurar se houve algum tipo de omissão”, destacou Borges.

A polícia trata o caso como homicídio culposo na direção de veículo automotor, quando não há intenção de matar. As investigações continuam.

Além disso, ainda nesta semana, o veículo envolvido no atropelamento deverá passar por perícia.

Comentários