A candidata da Rede ao Senado por São Paulo, Marina Silva, defendeu um modelo de desenvolvimento econômico aliado à preservação ambiental durante agenda em Araçatuba, na noite desta quinta-feira (27). Ao discursar para apoiadores na sede da Apeoesp, ela afirmou que meio ambiente e crescimento econômico não são incompatíveis.
Marina participou do encontro ao lado do candidato do PT ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad. Também estiveram presentes a deputada estadual Professora Bebel (PT), temporariamente afastada da presidência da Apeoesp, o ex-prefeito de Araçatuba Cido Sério e outras lideranças.
“Eu sei que muitos dizem que meio ambiente atrapalha o desenvolvimento. Não atrapalha. Pelo contrário, ajuda a resolver”, afirmou Marina.
Marina defende transição ecológica
Durante o discurso, Marina destacou a parceria que manteve com Haddad no governo federal para a criação de instrumentos econômicos voltados à transição ecológica. Ela deixou o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima no fim de março para disputar as eleições.
Entre as iniciativas citadas estão o Fundo Clima e o Eco Invest Brasil. Segundo Marina, a proposta é criar condições para investimentos que conciliem desenvolvimento econômico e sustentabilidade.
A candidata também afirmou estar satisfeita com a inclusão da transição ecológica entre as propostas de Haddad para o Governo de São Paulo.
Para Marina, São Paulo reúne condições favoráveis para esse processo devido à base industrial, às universidades, aos centros de pesquisa, ao conhecimento e aos recursos humanos disponíveis no Estado.
“São Paulo é o estado que reúne as melhores condições para um novo ciclo de prosperidade”, declarou.
Combate ao desmatamento
Marina também fez um balanço de sua passagem pelo Ministério do Meio Ambiente. Segundo ela, o governo federal retomou políticas ambientais, ampliou o orçamento da pasta, realizou concursos públicos e fortaleceu ações de combate ao desmatamento e aos incêndios.
A candidata citou quedas de 50% no desmatamento da Amazônia, 61% na Mata Atlântica e 32% no Cerrado. Os percentuais foram apresentados por Marina durante o discurso.
Além disso, ela destacou o compromisso do governo federal de zerar o desmatamento até 2030 e relacionou a preservação ambiental à abertura de mercados internacionais para produtos brasileiros.
Segundo Marina, compradores internacionais passaram a exigir garantias de que produtos agrícolas não estejam associados ao desmatamento ou a violações de territórios indígenas.
“Isso é bom para o agronegócio, para a agricultura familiar, para o Brasil”, afirmou.
Agronegócio e agricultura familiar
Marina também rejeitou a ideia de que agronegócio e agricultura familiar devam ocupar lados opostos no debate político.
Segundo ela, o território brasileiro permite conciliar atividades do agronegócio e da agricultura familiar com a proteção de povos indígenas e comunidades quilombolas.
“Tem lugar para o agricultor familiar, tem lugar para o quilombola, tem lugar para o indígena e tem também os empresários do agronegócio”, disse.
Além disso, a candidata defendeu os biocombustíveis brasileiros, como o etanol, como parte da transição para uma economia de baixo carbono.
“Não venha dizer que o meio ambiente é inimigo do desenvolvimento. O que nós vamos fazer é um novo ciclo de prosperidade, com democracia, soberania e sustentabilidade”, declarou.
Segurança e trajetória política
Ao abordar segurança pública, Marina relacionou o combate aos crimes ambientais à redução da violência em regiões atingidas por garimpo ilegal, invasões de terras indígenas e destruição das florestas.
Ela também falou sobre violência contra a mulher e citou dados de feminicídio para criticar a situação de São Paulo. Os números apresentados durante o discurso foram atribuídos pela candidata ao período recente.
Na parte final, Marina abordou sua própria trajetória política e afirmou que já enfrentou avaliações de que poderia perder força eleitoral. Nesse contexto, relacionou esse tipo de avaliação ao fato de ser mulher, negra e ligada a causas políticas e ambientais.
A candidata também manifestou apoio à candidatura de Haddad ao Governo de São Paulo e defendeu a continuidade do projeto político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).






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