Polícia
Polícia

Jovem baleada na cabeça morre após três meses internada em Araçatuba

Pai acusa negligência médica durante tratamento na Santa Casa; Polícia Civil pediu exame ao IML para apurar as circunstâncias da morte

Ver resumo

Pai acusa negligência médica durante tratamento na Santa Casa; Polícia Civil pediu exame ao IML para apurar as circunstâncias da morte

Jovem baleada na cabeça morre após três meses internada em Araçatuba
DIVULGAÇÃO/ARQUIVO PESSOAL

A jovem Natália Cristina da Cruz Miranda, de 21 anos, baleada na cabeça durante um ataque a tiros em Araçatuba morreu nesta terça-feira (1º), após mais de três meses de internação na Santa Casa. O pai da vítima, Alexandro Miranda, acusa negligência médica durante o tratamento.

A jovem estava internada desde 17 de maio, quando foi atingida durante um ataque a tiros na Praça Allan Kardec, no bairro São Sebastião. O atentado matou Wilson Barbosa Modaneis, de 30 anos, e deixou outra pessoa ferida.

Segundo as investigações, Wilson seria o alvo dos autores. A jovem, por sua vez, trabalhava em um estabelecimento no local quando um dos disparos atingiu sua cabeça.

Pai relata recuperação antes de complicações

Em entrevista ao Ponto Urgente, Alexandro contou que a filha apresentou melhora significativa após a primeira cirurgia. Segundo ele, cerca de 20 dias depois, ela deixou a UTI e seguiu para um quarto.

“Ela já estava boa, falando, comendo, conversando, ela sentava”, relatou.

De acordo com o pai, posteriormente a jovem apresentou meningite e o quadro clínico voltou a se agravar. A partir daí, segundo Alexandro, ela precisou passar por novos procedimentos.

O boletim de ocorrência registrado nesta terça-feira também menciona o diagnóstico de meningite durante a internação. Conforme o documento, a paciente passou por uma cirurgia inicial para retirada do projétil e de material purulento. Depois, em 25 de junho, passou por outra cirurgia para limpeza de uma ferida cirúrgica. No dia seguinte, houve uma nova intervenção.

Família questiona funcionamento de dreno

Alexandro afirma que um dos principais problemas ocorreu após a colocação de um dreno na cabeça da filha. Segundo ele, o dispositivo não estaria funcionando adequadamente.

“A gente foi ter um auxílio de outro médico”, contou. De acordo com o pai, após uma mudança na condução do caso, outro profissional reposicionou o dreno e a jovem apresentou melhora.

Alexandro afirma que a filha voltou a responder a estímulos. “Minha mulher falava para ela: ‘pisca para a mamãe’. Ela piscava duas vezes. E ela pegava na mão da gente, segurava a mão da gente”, relatou.

Ainda segundo o pai, a jovem passou por várias cirurgias durante os mais de três meses de internação. Ele afirma que a última ocorreu na quarta-feira passada e relaciona a piora posterior ao procedimento.

Polícia pede exame ao IML

O atestado de óbito indica como diagnóstico “hemorragia subdural devida a traumatismo”. O documento também menciona tratamento conservador de traumatismo cranioencefálico grave.

A Polícia Civil requisitou exame necroscópico ao IML (Instituto Médico Legal).

Posicionamento da Santa Casa

Em nota, a Santa Casa de Araçatuba lamentou a morte e informou que todo o atendimento foi prestado à paciente. Confira a nota na íntegra:

“A Santa Casa de Araçatuba lamenta profundamente o falecimento da paciente e se solidariza com seus familiares neste momento de dor.

A paciente deu entrada na instituição com um ferimento de extrema gravidade no cérebro, provocado por disparo de arma de fogo. A lesão causou danos que, ao longo da evolução do quadro clínico, demonstraram-se irreversíveis.

Durante todo o período de internação, ela recebeu assistência de equipe multiprofissional e multidisciplinar, com acompanhamento de diferentes especialidades médicas. A família foi informada, ao longo do tratamento, sobre a gravidade do quadro e sua evolução.

A Santa Casa afirma que toda a assistência prestada foi compatível com a gravidade do caso e que a paciente recebeu tratamento qualificado e especializado desde sua entrada no hospital.

Os profissionais envolvidos no atendimento estão consternados com o falecimento e com a perda irreparável enfrentada pela família. Ao mesmo tempo, as equipes permanecem convictas de que foram adotadas todas as medidas e tratamentos adequados ao quadro clínico apresentado pela paciente”.

Ninguém está preso pelo ataque

A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Homicídios, continua investigando o caso, mas até agora os autores dos disparos não foram identificados. Os investigadores analisam o conteúdo de celulares e continuam ouvindo testemunhas.

Comentários