Mais duas vítimas procuraram a Polícia Civil de Araçatuba, nesta quinta-feira (15), para denunciar um suposto golpe imobiliário praticado por um grupo investigado na cidade. Os novos boletins de ocorrência apontam prejuízos que, somados, chegam a R$ 49.152,43. Três pessoas suspeitas de envolvimento no esquema foram presas temporariamente durante uma operação realizada na terça-feira (13).
De acordo com os registros policiais, as vítimas contrataram serviços de uma empresa que anunciava imóveis nas redes sociais e oferecia facilidades para obtenção de crédito imobiliário. No entanto, após os pagamentos, descobriram possíveis irregularidades nas negociações.
Os dois casos ocorreram em um escritório localizado em um edifício comercial na região central de Araçatuba. O endereço é o mesmo que já havia sido alvo de buscas da Polícia Civil no início deste mês.
Casal relata prejuízo de mais de R$ 30 mil
Em um dos boletins, um casal relatou que encontrou um anúncio de venda de imóveis no Facebook e entrou em contato com os responsáveis. Durante a negociação, recebeu a informação de que a empresa também trabalhava com crédito imobiliário cooperativo.
Segundo o relato, os interessados compareceram duas vezes ao escritório. Na segunda visita, assinaram um contrato e pagaram R$ 30.152,43 como entrada para a suposta aquisição de uma carta de crédito.
A promessa era de liberação de R$ 293.402,64, valor que seria utilizado para comprar um imóvel. Além disso, o contrato previa o pagamento de 300 parcelas fixas de R$ 1.268,70.
Entretanto, na quarta-feira (14), o casal recebeu informações de uma pessoa que auxiliava na procura de imóveis de que a empresa contratada estaria supostamente envolvida em golpes de estelionato.
Diante da suspeita, os dois fizeram novas verificações e decidiram procurar a delegacia para registrar a ocorrência.
Outras vítimas pagaram R$ 19 mil
O segundo boletim, também registrado na quinta-feira, apresenta uma situação semelhante. As vítimas relataram que procuravam um imóvel e encontraram anúncios nas redes sociais com ofertas de financiamento facilitado.
Após demonstrarem interesse, passaram a conversar com representantes da empresa. Segundo o registro, os responsáveis ofereciam crédito imobiliário até mesmo para pessoas com restrições cadastrais.
A proposta apresentada previa a liberação de aproximadamente R$ 225 mil mediante o pagamento de uma entrada de R$ 19 mil.
Depois de reuniões no escritório, os interessados efetuaram o pagamento, acreditando que estavam contratando um financiamento imobiliário.
Contudo, somente após a assinatura dos documentos teriam recebido a informação de que a contratação envolvia um consórcio com carta de crédito contemplada.
As vítimas também afirmaram que as condições contratuais eram diferentes das promessas feitas durante a negociação, especialmente em relação ao valor das parcelas, à quantidade de pagamentos e ao prazo para disponibilização do crédito.
Elas apresentaram comprovantes de pagamento e documentos à Polícia Civil, solicitando a apuração de possível induzimento ao erro.
Operação prendeu três suspeitos
A Polícia Civil prendeu três pessoas na terça-feira (13), após o avanço das investigações conduzidas pelo Setor de Investigações de Crimes Virtuais de Araçatuba.
O delegado Leandro Teófilo, responsável pelo inquérito, solicitou as prisões temporárias, que receberam autorização judicial. A medida tem prazo inicial de cinco dias, com possibilidade de prorrogação por mais cinco.
Segundo a investigação, o grupo utilizava anúncios de imóveis nas redes sociais para atrair interessados. Em seguida, os potenciais compradores recebiam orientações para comparecer ao escritório, onde os investigados apresentavam propostas de financiamento.
Em um dos casos anteriores, uma vítima pagou R$ 23 mil diante da promessa de conseguir um financiamento de R$ 253 mil.
Durante as apurações, os investigadores também identificaram outras duas possíveis vítimas, com prejuízo estimado em R$ 25 mil. Além disso, encontraram uma lista com mais de 50 nomes de pessoas que teriam passado pelo escritório nos últimos meses.
Polícia investiga extensão dos prejuízos
No dia 2 de outubro, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão no estabelecimento. Os agentes recolheram celulares, documentos, placas supostamente utilizadas no esquema e livros relacionados a técnicas de persuasão e convencimento.
Os materiais passaram a integrar a investigação, que busca esclarecer a dinâmica das negociações e identificar outras possíveis vítimas.
Os três investigados respondem por suspeita de estelionato mediante fraude eletrônica e associação criminosa.
Após as prisões, a defesa informou que ainda não havia conseguido acesso integral aos autos e que pretendia solicitar à Justiça a revogação das prisões temporárias.
Os dois novos boletins foram registrados como estelionato e encaminhados para outra unidade policial. A apuração deverá esclarecer as circunstâncias dos pagamentos e a eventual relação dos novos relatos com o esquema já investigado.






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