O ex-vereador de Araçatuba (SP), Evandro Molina, foi preso em flagrante no início da tarde desta sexta-feira (9), suspeito de crimes contra a saúde pública e as relações de consumo. Ele estava em um imóvel no bairro Jussara, onde funcionava uma fábrica clandestina de espetinhos e hambúrgueres artesanais. O irmão dele também acabou preso.
Policiais civis cumpriram um mandado de busca e apreensão no endereço, com apoio de agentes do Serviço de Inspeção Municipal (SIM). Durante a fiscalização, as equipes encontraram aproximadamente 500 quilos de carnes sem registro, armazenadas em condições inadequadas.
A reportagem acompanhou a diligência durante a manhã. Segundo o delegado Marcel Basso, responsável pela operação, o imóvel já havia sido alvo de fiscalização em julho deste ano, quando as equipes apreenderam e descartaram 2,7 toneladas de produtos de origem animal sem registro nos órgãos competentes.
Apesar da primeira apreensão, novas denúncias indicaram que a atividade clandestina continuava. Por isso, a Polícia Civil solicitou à Justiça um novo mandado de busca e apreensão.
“Infelizmente, um cenário muito semelhante ao de julho foi encontrado ali. Não existe documentação legal para o funcionamento da fábrica, embora as carnes continuem armazenadas ali”, afirmou o delegado.
Fiscalização encontra 500 quilos de carnes
Durante a operação desta sexta-feira, os agentes encontraram aproximadamente 500 quilos de carnes variadas, principalmente linguiças, sem registro e armazenadas em condições inadequadas.
Além disso, os fiscais constataram que o imóvel passava por obras, situação que também impede a produção de alimentos nas condições verificadas.
“Nós vamos lavrar o auto de infração e o auto de imposição de penalidade para o descarte de material impróprio para o consumo humano. Por lei, é proibido produzir durante a reforma, e aqui não há nenhuma autorização de produção”, explicou Rafael Silva Cipriano, coordenador do Serviço de Inspeção Municipal.
Ex-vereador e irmão são presos em flagrante
Diante das irregularidades, os policiais conduziram Evandro Molina e o irmão à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Araçatuba.
Após analisar a ocorrência, o delegado plantonista determinou a prisão em flagrante dos dois por crimes contra a saúde pública e as relações de consumo.
“Os dois já eram apontados no inquérito anterior e estavam no local hoje durante o cumprimento do mandado de busca. Portanto, ambos foram conduzidos ao plantão policial, onde foram autuados em flagrante por crimes contra a relação de consumo e contra a saúde pública”, explicou Marcel Basso.
Os irmãos devem passar por audiência de custódia na manhã deste sábado (10).
A reportagem procurou a defesa dos investigados, que informou que se manifestará apenas nos autos, uma vez que o processo tramita em segredo de Justiça.
Primeira operação apreendeu 2,7 toneladas de carnes
A primeira fiscalização no imóvel ocorreu em julho deste ano, após denúncias de moradores sobre as condições de higiene do estabelecimento.
Segundo os relatos, o local apresentava acúmulo de sujeira, mau cheiro e presença de urubus, ratos e outras pragas. No imóvel, havia produção de espetinhos, hambúrgueres artesanais, linguiças e outros produtos destinados à comercialização.
Durante a operação, os fiscais identificaram a fabricação e manipulação de carnes sem registro sanitário, além de problemas de armazenamento, falta de identificação da procedência dos produtos e descumprimento das normas de higiene.
Na ocasião, as equipes apreenderam e encaminharam para descarte aproximadamente 2,7 toneladas de produtos de origem animal. Entre os alimentos estavam hambúrgueres, linguiças, espetinhos, medalhões de frango, kaftas e cortes de carnes bovina, suína e de frango.
Após a fiscalização, a Polícia Civil instaurou um inquérito e identificou a ligação do imóvel com o ex-vereador Evandro Molina.
Agora, diante das novas irregularidades, a polícia deverá instaurar outro inquérito para aprofundar as investigações.
Ex-vereador perdeu mandato em 2022
Evandro Molina perdeu o mandato de vereador de Araçatuba em 2022, com base na Lei da Ficha Limpa, após uma condenação a um ano de prisão em um processo que apurou furto de energia elétrica.
Posteriormente, em 2024, o ex-parlamentar recebeu o benefício de um indulto. Com isso, a Justiça declarou extinta a pena, que havia sido convertida em prestação de serviços à comunidade.






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