A Polícia Civil cumpriu quatro mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira (16) em um novo desdobramento da investigação envolvendo o policial penal Gledson David Corassa Alves. Ele virou réu pelo homicídio de Robert Ronald Ramos Vieira, de 29 anos, ocorrido em 30 de agosto, nas proximidades de um bar em Araçatuba.
As buscas ocorreram na residência do policial penal, no estabelecimento onde aconteceu o crime e nas casas dos proprietários do bar. Segundo o delegado Marcel Basso, a polícia pretende instaurar um novo inquérito para apurar a conduta dos donos do estabelecimento.
Polícia apura depoimentos de donos do bar
Durante o primeiro inquérito, os proprietários prestaram depoimento como testemunhas e disseram que o policial penal estava no bar como cliente. No entanto, de acordo com Basso, o próprio policial penal declarou, após a prisão em flagrante, que prestava serviço de segurança privada no local.
Diante da divergência, a Polícia Civil passou a apurar a conduta dos proprietários.
“Pode ser que passaram a figurar como investigados por falso testemunho”, afirmou Basso.
Segundo o delegado, um novo inquérito deverá investigar possível falso testemunho e, eventualmente, fraude processual. Essa segunda hipótese será apurada caso a polícia encontre indícios de manipulação ou retirada de imagens com o objetivo de prejudicar a investigação.
Além disso, Basso afirmou que os investigadores querem entender por que as testemunhas não informaram sobre a existência de gravações internas do estabelecimento.
Arma, celulares e DVR são apreendidos
Na residência do policial penal, onde a equipe encontrou a mãe dele, os investigadores apreenderam munições, coldres, dois celulares, um tablet e um revólver calibre .357.
A Polícia Civil também vai investigar a regularidade da arma. Além disso, o Instituto de Criminalística fará a perícia no revólver.
No bar, os policiais apreenderam aparelhos celulares e um DVR que, segundo o delegado, pode conter outras imagens relacionadas ao caso. Já nas residências dos proprietários, as equipes recolheram outros celulares.
De acordo com Basso, os donos do estabelecimento não foram conduzidos à delegacia. No entanto, segundo ele, eles não quiseram fornecer, inicialmente, as senhas dos celulares. Por isso, a polícia apreendeu os aparelhos e deverá submetê-los à perícia.
Novo inquérito será instaurado
A Polícia Civil já concluiu o inquérito relacionado diretamente ao homicídio. Agora, segundo Basso, a corporação instaurará outro procedimento para investigar a conduta dos proprietários do bar.
A investigação também pretende verificar se existem imagens internas que mostrem outros ângulos do ocorrido e que possam contribuir para esclarecer as circunstâncias do crime.
Policial penal virou réu por homicídio
Robert Ronald morreu em 30 de agosto. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que o policial penal aborda a vítima e, em seguida, efetua os disparos. Robert estava com uma arma de brinquedo na cintura.
Gledson alegou legítima defesa. No entanto, segundo a investigação da Polícia Civil, os elementos reunidos no inquérito não comprovaram essa versão.
Em 8 de setembro, o Ministério Público denunciou o policial penal por homicídio qualificado. A acusação aponta as qualificadoras de recurso que dificultou a defesa da vítima e perigo comum.
A Justiça recebeu a denúncia e tornou Gledson réu na ação penal. Ele permanece preso preventivamente. O processo poderá resultar em julgamento pelo Tribunal do Júri.






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