A Polícia Civil prendeu quatro investigados durante a Operação Prazo Final, deflagrada na manhã desta segunda-feira (14), em Araçatuba. A investigação apura crimes de agiotagem, extorsão, roubo, associação criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo a polícia, mais de 20 vítimas já foram identificadas e o prejuízo estimado chega a R$ 300 mil.
A DIG (Delegacia de Investigações Gerais) cumpriu quatro mandados de prisão temporária e nove de busca e apreensão. A operação mobilizou 36 policiais civis, divididos em nove equipes.
De acordo com o delegado Flávio Soares Alves de Miranda, um dos responsáveis pela operação ao lado do delegado Igor Alberto Figueiredo, a investigação identificou dois grupos distintos, que não tinham ligação entre si, mas adotavam formas semelhantes de atuação.
Juros chegavam a 60% e dívida aumentava rapidamente
Segundo o delegado, os investigados emprestavam dinheiro com juros que chegavam a 40%, 50% e 60%, além de estabelecerem prazos curtos para pagamento. Quando a vítima não conseguia quitar a dívida, começariam as ameaças.
Em um dos casos identificados pela investigação, conforme Flávio, uma pessoa recebeu um empréstimo de R$ 500. Depois de aproximadamente três meses, o agiota teria passado a cobrar R$ 10 mil.
O delegado explicou que um dos modelos identificados previa, inicialmente, o empréstimo de R$ 500 para pagamento de R$ 600 em 15 dias. No entanto, quando a vítima não conseguia pagar, a dívida continuava aumentando.
Segundo a Polícia Civil, algumas vítimas procuravam os empréstimos diante de dificuldades financeiras e, posteriormente, entravam em um ciclo de cobranças e ameaças.
Investigados teriam ameaçado vítimas e familiares
A investigação aponta que integrantes dos grupos teriam usado ameaças para cobrar as dívidas. Conforme o delegado, eles enviavam fotos e imagens de simulacros de armas de fogo e também ameaçavam familiares das vítimas.
Além disso, a polícia investiga situações nas quais os suspeitos teriam tomado objetos pessoais como forma de cobrança.
De acordo com Flávio, conversas analisadas durante a investigação mostram que integrantes dos grupos comentavam entre si as cobranças. Segundo ele, os suspeitos teriam feito piadas sobre ameaças e sobre a retirada de bens das vítimas.
Ainda conforme o delegado, alguns investigados combinavam entre si quem faria determinada cobrança. A escolha levaria em consideração quem teria maior capacidade de intimidar a vítima.
Investigação começou após registro de roubo
A Operação Prazo Final teve origem na investigação de um boletim de ocorrência de roubo. Durante as diligências, a DIG cumpriu um mandado de busca e apreensão na residência de um dos investigados e apreendeu um celular.
A análise do aparelho, segundo Flávio, levou os investigadores à identificação da suposta rede de agiotagem. A polícia concluiu, então, que o roubo investigado inicialmente estaria relacionado à cobrança de uma dívida.
Nesse caso, conforme a investigação, um suspeito teria tomado o celular da vítima para cobrar o valor. Depois, ainda segundo o delegado, ele teria comentado o episódio em conversas pelo WhatsApp.
A partir desse material, a Polícia Civil chegou aos dois núcleos investigados. Embora não tivessem relação entre si, os grupos adotariam práticas semelhantes.
Polícia investiga lavagem de dinheiro
A investigação também apura indícios de lavagem de dinheiro. Segundo Flávio, os dois grupos utilizariam contas bancárias de terceiros para movimentar valores provenientes da suposta agiotagem.
De acordo com o delegado, o objetivo seria mascarar a origem do dinheiro e introduzir os valores na economia por meio de contas que não pertenciam diretamente aos investigados.
Durante a operação desta segunda-feira, os policiais apreenderam seis celulares, aproximadamente R$ 350 em dinheiro e anotações relacionadas à suposta prática de agiotagem. Agora, a equipe vai analisar o material.
Mais de 20 vítimas já foram identificadas
Até o momento, a Polícia Civil identificou mais de 20 vítimas. Entretanto, a investigação continua e pode resultar na identificação de outros casos.
Segundo Flávio, a estimativa inicial aponta prejuízo de aproximadamente R$ 300 mil às vítimas. Os casos ocorreriam de forma difusa em Araçatuba, sem concentração em um bairro específico.
A polícia pretende ouvir as vítimas nos próximos dias para avançar na conclusão dos inquéritos. Além disso, novas investigações poderão ser abertas conforme surgirem outros elementos.
As quatro prisões cumpridas nesta segunda-feira são temporárias, com prazo inicial de cinco dias e possibilidade de prorrogação por mais cinco. Posteriormente, segundo o delegado, a Polícia Civil poderá representar pela prisão preventiva dos investigados.
Flávio também afirmou que a DIG apura a atuação de outros grupos suspeitos de crimes semelhantes em Araçatuba.






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